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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Herança




Primeiro, meus pés vieram ao mundo

Depois, o resto do corpo rompeu o velcro profundo

Que me mantinha aconchegada ás entranhas maternas

Tão desapegada de quaisquer coisas desta Terra



Talvez por isso, eu goste tanto de pisar o chão

ou de sair dele, em passos leves como os da bailarina

em um andar lépido e saltitante de menina



Num caminhar desafrouxado, beirando o mar que me fascina

toco pedregulhos e algas com as pontas dos dedos

na carícia da areia úmida, recolho conchas com seus segredos



Depois que eu nasci, com o tempo percebi

Que a tez pregueada e os vincos profundos

Foram herança materna

O sorriso encurralado ao canto dos olhos fundos

Foi legado paterno



Meus pés amam o chão

Também repousam neles asas lubrificadas

Com o óleo fresco da imaginação

Com a indescritível essência da emoção

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